“O não-leitor, diante de um texto escrito, não o compreende diretamente. Vê-se obrigado a transformá-lo em mensagem oral; é essa mensagem que ele entenderá. Esse trabalho de transformação é extremamente demorado e difícil, e não é possível, portanto, abordar dessa maneira um livro de trezentas paginas”
A partir do trecho extraído do Livro A leitura em Questão de Jean Foucambert, elabore uma reflexão sobre o que seria transformar um texto escrito em mensagem oral e sobre qual a relação desse tipo de leitura com o gosto por livros e por textos escritos em geral. (Pergunta da Larissa)
Entendo que a leitura deve ser um processo não apenas de decodificação das letras e palavras, mas sim um entendimento do sentido destas e uma elaboração cognitiva por parte do leitor. Um não leitor precisa ouvir, precisa da mensagem oral para que entenda. Não consegue elaborar as palavras, os sinais, diretamente e é necessário então um trabalho em dobro, por assim dizer. Dessa forma, é compreensível que para essas pessoas não exista gosto pela leitura, uma vez que essa vira um trabalho mecânico, sem interpretação rápida e muito trabalhoso.
Assim que li a pergunta pensei na hora no aprendizado de outra língua. Vou explicar: quando aprendemos outra língua podemos passar por processos diferentes. Um deles é traduzir palavra por palavra, para aí sim entender o que é dito. É trabalhoso e dificulta um entendimento mais amplo da mensagem. Geralmente as pessoas que passam por esse processo para aprender dizem não gostar de outras línguas. Por outro lado há aqueles que não fazem uma tradução simultânea da mensagem, tentando entendê-la no contexto. Essas pessoas costumam ter prazer em aprender outras línguas. Vejo uma grande relação entre esses processos e o de leitura por um não leitor, tendo consequências semelhantes.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Reflexão - Seminário 1
Como a evolução da escrita pode se relacionar com o processo de alfabetização das nossas crianças? (pergunta da Beatriz)
Quando penso no processo de alfabetização das crianças vejo uma grande semelhança com a evolução da escrita ao longo da história. Um primeiro momento da escrita foi a pictográfica, quando eram utilizados desenhos para representar as idéias. As crianças também utilizam desenhos como linguagem, antes da alfabetização. Quando começam a ser alfabetizadas aprendem que as palavras são compostas por diferentes sons, e que a representação pode ser feita a partir destes sons (o mesmo que ocorreu com a passagem para a escrita cuineiforme). As crianças ainda não sabem diferenciar o som que cada letra tem, mas sabem que aquelas letras podem representar o que eles querem dizer. Utilizam então as letras que conhecem primeiro, geralmente as do seu nome, para escrever o que querem. Já sabem que aquelas letras, combinadas, são utilizadas para representar os objetos e ações. Quando aprendem melhor o alfabeto começam a entender que cada letra possui um som específico, que combinado com outros formam as palavras que querem (como os povos antigos fizeram com a escrita cuineiforme). O processo então da evolução da escrita na história passou pelos mesmos momentos que a criança passa, com apenas uma diferença no espaço de tempo que ocorre.
Quando penso no processo de alfabetização das crianças vejo uma grande semelhança com a evolução da escrita ao longo da história. Um primeiro momento da escrita foi a pictográfica, quando eram utilizados desenhos para representar as idéias. As crianças também utilizam desenhos como linguagem, antes da alfabetização. Quando começam a ser alfabetizadas aprendem que as palavras são compostas por diferentes sons, e que a representação pode ser feita a partir destes sons (o mesmo que ocorreu com a passagem para a escrita cuineiforme). As crianças ainda não sabem diferenciar o som que cada letra tem, mas sabem que aquelas letras podem representar o que eles querem dizer. Utilizam então as letras que conhecem primeiro, geralmente as do seu nome, para escrever o que querem. Já sabem que aquelas letras, combinadas, são utilizadas para representar os objetos e ações. Quando aprendem melhor o alfabeto começam a entender que cada letra possui um som específico, que combinado com outros formam as palavras que querem (como os povos antigos fizeram com a escrita cuineiforme). O processo então da evolução da escrita na história passou pelos mesmos momentos que a criança passa, com apenas uma diferença no espaço de tempo que ocorre.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Reflexão (A leitura silenciosa) - Seminário 2
O texto “A história da leitura”, apresenta a passagem da leitura oral para a silenciosa, colocando a leitura silenciosa em evidencia como um ganho histórico. Com base no texto e levando em consideração suas experiências pessoais, reflita sobre a diferente sensação, interpretação e atenção que se dá a um texto lido silenciosamente por você, e um lido em voz alta para você. (Pergunta de Samanta)
Achei muito interessante a questão abordada pelo seminário. Sempre tenho mais dificuldade em compreender um texto quando lêem em voz alta para mim. Dessa forma, fiquei com uma idéia um tanto cristalizada de que a leitura silenciosa é muito melhor que uma leitura em voz alta. Sei que não é uma questão de melhor ou pior, mas isso é agora que parei para refletir de fato sobre o assunto. Até saberia antes, mas tem coisas que simplesmente não pensamos por não estarem fazendo parte do nosso cotidiano.
O seminário e o texto proposto me fizeram ponderar e ver tanto as vantagens como as desvantagens de cada tipo de leitura. Quando fiz isso lembrei então que muitas vezes eu já utilizei sim a leitura em voz alta. Vou dar um exemplo (engraçado, admito): algumas vezes que conversava pelo msn com um ex-namorado (sabe aquelas fases que você nunca sabe exatamente como conversar com a pessoa? pois então) sempre ficava na dúvida do que alguns comentários queriam dizer, qual era intenção e o sentido por trás daquelas palavras. Conversando com uma amiga, contei da conversa e o que ele havia dito. Nessa hora ouvi e compreendi de forma completamente diferente o que havia lido antes, pelo fato de que ter dado vida e sentido àquelas palavras ao colocá-las em voz alta. Quando li no texto que as palavras eram lidas para que ganhassem vida me identifiquei completamente!
Com essa e outras reflexões percebi então que utilizo sim de ambos os tipos de leituras, e acho que parando para pensar e definindo racionalmente os aspectos positivos e negativos posso utilizar agora de forma mais proveitosa as minhas diferentes possibilidades de leitura.
Mas deixo aqui um outro aspecto que não lembro de ter sido comentado: quando leio em voz alta para os outros aí sim tenho realmente mais dificuldade de compreensão. Comentamos bastante da dificuldade de entendermos o que nos é lido, mas acho que ficou esse ponto. Fica a minha opinião, mas não sei bem o porquê dessa dificuldade. O que vocês acham?
Achei muito interessante a questão abordada pelo seminário. Sempre tenho mais dificuldade em compreender um texto quando lêem em voz alta para mim. Dessa forma, fiquei com uma idéia um tanto cristalizada de que a leitura silenciosa é muito melhor que uma leitura em voz alta. Sei que não é uma questão de melhor ou pior, mas isso é agora que parei para refletir de fato sobre o assunto. Até saberia antes, mas tem coisas que simplesmente não pensamos por não estarem fazendo parte do nosso cotidiano.
O seminário e o texto proposto me fizeram ponderar e ver tanto as vantagens como as desvantagens de cada tipo de leitura. Quando fiz isso lembrei então que muitas vezes eu já utilizei sim a leitura em voz alta. Vou dar um exemplo (engraçado, admito): algumas vezes que conversava pelo msn com um ex-namorado (sabe aquelas fases que você nunca sabe exatamente como conversar com a pessoa? pois então) sempre ficava na dúvida do que alguns comentários queriam dizer, qual era intenção e o sentido por trás daquelas palavras. Conversando com uma amiga, contei da conversa e o que ele havia dito. Nessa hora ouvi e compreendi de forma completamente diferente o que havia lido antes, pelo fato de que ter dado vida e sentido àquelas palavras ao colocá-las em voz alta. Quando li no texto que as palavras eram lidas para que ganhassem vida me identifiquei completamente!
Com essa e outras reflexões percebi então que utilizo sim de ambos os tipos de leituras, e acho que parando para pensar e definindo racionalmente os aspectos positivos e negativos posso utilizar agora de forma mais proveitosa as minhas diferentes possibilidades de leitura.
Mas deixo aqui um outro aspecto que não lembro de ter sido comentado: quando leio em voz alta para os outros aí sim tenho realmente mais dificuldade de compreensão. Comentamos bastante da dificuldade de entendermos o que nos é lido, mas acho que ficou esse ponto. Fica a minha opinião, mas não sei bem o porquê dessa dificuldade. O que vocês acham?
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Pergunta
A escrita cuneiforme possibilitou maiores nuances de sentidos e matizes de significados, possibilitando assim o registro de uma literatura muito mais rica e complexa. A sofisticação na escrita aumentou muito, mas será que a escrita pode ser considerada tão rica ou eficiente quanto a nossa linguagem oral?
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Resumo do texto "Primórdios", de Alberto Manguel (para seminário)
O texto Primórdios, retirado do livro de Alberto Manguel, Uma História da Leitura, traça um breve histórico do surgimento da escrita e ao mesmo tempo da leitura. Surgiram por necessidades comerciais e foram de extrema importância para o desenvolvimento da sociedade. Quem se ocupava desse ofício eram os escribas, homens de grande importância na sociedade da época. Com o passar do tempo a escrita se desenvolveu e possibilitou uma transmissão cada vez mais precisa de significados, porém dependendo sempre de um leitor para que pudesse existir.
O começo da pré-história do livro deu-se na Babilônia, por motivos comerciais e para organizar uma sociedade cada vez mais complexa. A escrita gerou uma mudança na natureza da comunicação entre os homens que, anteriormente a ela, utilizavam-se da memória para registrar informações importantes. As vantagens da escrita de sinais incluíam uma quantidade armazenável infinita de informações e a não exigência da presença física de quem guardava as lembranças para recuperar as informações. Isso possibilitava a transmissão de mensagens através do tempo e espaço sem a presença de um mensageiro. A tentativa desde os primórdios do homem de superar a geografia, a morte e os esquecimentos foi alcançada então através da escrita.
Outra criação, tão importante quanto, apareceu simultaneamente: o leitor. Ao escrever, era imediatamente necessário alguém que decifrasse a escrita, para que essa pudesse existir. Isso criou um paradoxo fundamental entre o escritor e o leitor, uma vez que para que um texto fique pronto é necessário que o escritor não exista mais, para que ele possa nascer ao leitor. Um texto é silencioso até o momento que é lido. “ A leitura é a apoteose da escrita.”(p. 208)
A importância da escrita foi rapidamente reconhecida como uma habilidade poderosa. Surgem os escribas, ocupação de poucos, sempre de uma elite aristocrática, e que gerava muito status e poder. Era o escriba que estabelecia as comunicações e decifrava as mensagens de toda a sociedade. A importância do papel do escriba era enorme, pois era através deles que se estabeleciam as comunicações e se transmitiam as mensagens de toda a sociedade. O escriba era reconhecido principalmente pela sua habilidade de escrever, porém a habilidade da leitura também lhe era fundamental. A leitura não era reconhecida por motivos de segurança, uma vez que isso reconheceria a possibilidade do escriba de atribuir sentidos e significados às informações, ao invés de somente registrá-las. A invenção extraordinária da escrita dependia da capacidade do escriba de ler.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Resumo longo - Os Livros na Idade Média
O texto " Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, trata da dificuldade de acesso aos livros na Idade Média. Vários fatores, como alto custo do material e do copista, contribuíam para que o acesso aos livros fosse somente para poucos. Dessa forma havia também uma grande dificuldade de se montar uma biblioteca, fosse ela particular ou pertencente a alguma instituição, durante a Idade Média. Mesmo com o advento da imprensa essa característica de acesso aos livros para poucos demorou a mudar.
Durante a Idade Média, o primeiro obstáculo ao acesso ao livro era de ordem econômica. O livro era muito caro, e , portanto, somente os mais abastados tinham oportunidade de formar uma biblioteca. O alto custo está associado, por um lado, ao material do qual o livro era feito (pergaminho), e por outro lado, à escassez de copistas e à demora na confecção dos mesmos.
Colocados à parte o rei, os príncipes de sangue e os grandes senhores, os homens de saber eram praticamente os únicos a possuírem , até o final do século XV, bibliotecas de alguma importância. Os proprietários de bibliotecas consideravam-nas verdadeiros tesouros e as tratavam com o maior cuidado. Elas representavam uma forma de entesouramento, um capital tanto intelectual quanto financeiro , que se pretendia legar aos seus herdeiros.
Existiam na época três tipos de bibliotecas que mereceriam a designação de “públicas”. São elas:
- as bibliotecas principescas- parece que, pelo menos um número selecionado de pessoas tinha acesso às mesmas.
- bibliotecas de catedrais, mosteiros e conventos- não se sabe ao certo se seriam abertas a outros leitores que não fossem cônegos e frades.
- bibliotecas dos conventos medicantes- estudantes, leitores conventuais e pregadores compartilhavam do espaço, sobretudo no caso de colégios e universidades.
As bibliotecas dos colégios continham, sobretudo, livros de estudos, destacando-se as disciplinas tradicionalmente ensinadas nas universidades.
No total é provável que, no exercício cotidiano de suas atividades profissionais ou administrativas, o conjunto dos homens de saber, sobretudo os leigos, deveria antes de tudo contar com os recursos de sua pequena livraria pessoal e de sua memória
A invenção da tipografia, que provocou , sem dúvida, uma revolução, mas não terminou de uma vez com as atividades dos copistas de manuscrito. Continuou-se a transcrever livros manuscritos até o início do século XVI. Aqueles que possuíam belas coleções tinham tendência a conservá-las e não substituí-las, a não ser progressivamente por livros impressos. Foram os textos propriamente humanistas, quer dizer, os clássicos ( latinos e cada vez mais os gregos) e as obras de autores italianos recentes que teriam sido os livros mais procurados pelos letrados, porque esses manuscritos eram raros.
Pode-se concluir portanto que mesmo com o advento da imprensa o processo de substituição dos livros manuscritos pelos impressos foi lento, sendo que por muito tempo o livro permaneceu sendo um artigo caro e de difícil acesso. Somente mais tarde e gradativamente o desenvolvimento da impressa possibilitou alargar o público da cultura escrita e modificar as proporções ou a composição das bibliotecas.
Resumo curto - Os Livros na Idade Média
O texto " Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, trata da dificuldade de acesso aos livros na Idade Média. Vários fatores, como alto custo do material e do copista, contribuíam para que o acesso aos livros fosse somente para poucos. Dessa forma havia também uma grande dificuldade de se montar uma biblioteca, fosse ela particular ou pertencente a alguma instituição, durante a Idade Média. Mesmo com o advento da imprensa essa característica de acesso aos livros para poucos demorou a mudar.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Considerações sobre "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke
Nessa postagem deveríamos falar sobre os livros lidos. Pensei em um trecho para escolher e dividir com vocês, porém percebi que não há um trecho ou tema específico do livro que me chamou a atenção em si, mas o livro como um todo e a idéia que ele me passou. Não sei se o que vou colocar aqui é de fato algo que está no livro, algo que qualquer um que leia possa perceber. Também não sei se saberia explicar exatamente o que me levou a tais considerações, mas de qualquer forma foi o que mais ficou do livro para mim e é o que dividirei com vocês.
Ao falar de temas como infância, solidão, natureza (temas recorrentes na obra) Rilke me remeteu a sentimentos. A sensação que eu tinha sempre que o autor falava da importância desses temas para escrita era de que esses temas eram uma forma de entrar em contato com seus próprios sentimentos, para aí sim escrever. Não sei se seria para escrever sobre os sentimentos em si, mas só de entrar em contato com eles, esses já ficam muito presentes nas palavras, de forma que invadem, como se tivessem vida, o leitor de tais páginas. Daí, acredito eu, a apreciação que Rilke obteve e ainda obtém de tantas pessoas. Porque para mim ele trata, mesmo que indiretamente, de sentimentos. E esse na minha opinião é o tema central da vida de todos nós. Essa idéia não me surgiu somente agora, desde que estudava psicologia eu sempre pensei muito nisso. Pode parecer óbvio, ou não, mas sempre me peguei horas e horas pensando nisso. Tudo na nossa vida acaba sendo sobre nossos sentimentos. Mas essa é uma explicação que, se eu tiver, é muito mais longa e para um outro momento, que vai além do que eu pretendia escrever aqui.
Então fica minha idéia, e minhas sensações e sentimentos a respeito desse livro.
Ao falar de temas como infância, solidão, natureza (temas recorrentes na obra) Rilke me remeteu a sentimentos. A sensação que eu tinha sempre que o autor falava da importância desses temas para escrita era de que esses temas eram uma forma de entrar em contato com seus próprios sentimentos, para aí sim escrever. Não sei se seria para escrever sobre os sentimentos em si, mas só de entrar em contato com eles, esses já ficam muito presentes nas palavras, de forma que invadem, como se tivessem vida, o leitor de tais páginas. Daí, acredito eu, a apreciação que Rilke obteve e ainda obtém de tantas pessoas. Porque para mim ele trata, mesmo que indiretamente, de sentimentos. E esse na minha opinião é o tema central da vida de todos nós. Essa idéia não me surgiu somente agora, desde que estudava psicologia eu sempre pensei muito nisso. Pode parecer óbvio, ou não, mas sempre me peguei horas e horas pensando nisso. Tudo na nossa vida acaba sendo sobre nossos sentimentos. Mas essa é uma explicação que, se eu tiver, é muito mais longa e para um outro momento, que vai além do que eu pretendia escrever aqui.
Então fica minha idéia, e minhas sensações e sentimentos a respeito desse livro.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A influência da escrita e seus reflexos nas obras de Graciliano Ramos e João Ubaldo Ribeiro
Discutimos bastante na sala os dois textos propostos, de João Ubaldo Ribeiro e de Graciliano Ramos, e a questão do que influencia a escrita continuou para mim. Como só havia lido um deles, na aula, fiquei com a idéia da discussão e tentei achar uma resposta, mesmo sem ler o outro ainda. Obviamente não cheguei a nenhuma resposta objetiva. O que pode influenciar uma pessoa a fazer e gostar de determinada coisa, como escrever, depende de inúmeros fatores, muitos dos quais não estão ao nosso alcance de análise. É claro que o ambiente da pessoa conta com um grande peso, mas outras experiências que podem parecer sem importância para os outros podem ter grande valor para a própria pessoa, mesmo que ela não perceba. Usando um termo bem técnico, seria algo como multifatorial.
De qualquer forma eu decidi então ler o outro texto, sem expectativas de encontrar uma resposta. Não, não encontrei resposta para esse fato, mas encontrei outra coisa. Me chamou muita a atenção o estilo de escrita de cada autor, o tom de seu texto. A escrita de João Ubaldo Ribeiro é leve, gostosa de ler, divertida. Passa uma sensação que eu imagino ter semelhança com a sua própria vivência do processo de leitura e escrita. O texto de Graciliano Ramos, por sua vez, passa uma sensação pesada, ele é duro de ler, como me parece que foram suas experiências.
Achei muito interessante e fiquei pensando que mesmo não influenciando diretamente o fato de alguém ser levado a escrever, o ambiente no qual essa pessoa vive ou viveu tem uma grande influência no seu estilo, no tom do seu trabalho. Me parece que isso é uma coisa mais direta, mas preciso ler mais autores e suas histórias.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Sugestão: Enrique Vila-Matas
Acabei de ler esse artigo e pensei na hora em dividir com vocês. Acho que tem tudo a ver com o nosso curso, além de parecer ser uma leitura muito interessante. Eu pessoalmente fiquei muito interessada e espero que vocês também se interessem!
"Enrique Vila-Matas é um dos mais proeminentes escritores da atual literatura hispânica, nasceu em Barcelona em 1948 e já lançou 28 títulos em mais de 20 países. Seis de seus livros foram traduzidos para o Brasil: A viagem vertical, Bartleby e companhia, O mal de Montano, Paris não tem fim, Suicídios exemplares e acaba de sair do prelo Doutor Pasavento. Consagrado em 2006 com o prêmio da Real Academia Espanhola, uma de suas características é misturar sem medo ensaio e ficção, isso levou o crítico José Castello a dizer que sua obra “exige o aparecimento de um novo tipo de leitor, nem passivo nem ativo, mas desarmado e disposto a se deixar perturbar pelo que lê”, e a jornalista Bia Abramo a assinalar: “É um escritor singular, tão singular quanto os personagens que habitam seus livros”. Ao retratar, em três novelas, algumas das patologias que abalam grandes escritores, criou uma espécie informal de trilogia nomeada Catedral metaliterária, usando a literatura como marco de reflexão e ponto de fuga. Por essas e outras, a narrativa de Vila-Matas é leitura instigante e intrigante." (Revista da Cultura, edição 32)
No site tem também uma pequena entrevista com ele:
http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc32/index2.asp?page=literatura
Espero que gostem!
"Enrique Vila-Matas é um dos mais proeminentes escritores da atual literatura hispânica, nasceu em Barcelona em 1948 e já lançou 28 títulos em mais de 20 países. Seis de seus livros foram traduzidos para o Brasil: A viagem vertical, Bartleby e companhia, O mal de Montano, Paris não tem fim, Suicídios exemplares e acaba de sair do prelo Doutor Pasavento. Consagrado em 2006 com o prêmio da Real Academia Espanhola, uma de suas características é misturar sem medo ensaio e ficção, isso levou o crítico José Castello a dizer que sua obra “exige o aparecimento de um novo tipo de leitor, nem passivo nem ativo, mas desarmado e disposto a se deixar perturbar pelo que lê”, e a jornalista Bia Abramo a assinalar: “É um escritor singular, tão singular quanto os personagens que habitam seus livros”. Ao retratar, em três novelas, algumas das patologias que abalam grandes escritores, criou uma espécie informal de trilogia nomeada Catedral metaliterária, usando a literatura como marco de reflexão e ponto de fuga. Por essas e outras, a narrativa de Vila-Matas é leitura instigante e intrigante." (Revista da Cultura, edição 32)
No site tem também uma pequena entrevista com ele:
http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc32/index2.asp?page=literatura
Espero que gostem!
terça-feira, 16 de março de 2010
Leitura de O Corvo
Nossa, começar a ler no meio da aula.
Já imaginei que seria difícil, pois não estou num bom dia.Não estou conseguindo me concentrar em nada, por vários acontecimentos que me balançaram hoje.E ainda por cima com toda a agitação em volta... Tento. Antes dou uma pesquisada sobre a vida e trabalho de Edgar Allan Poe, e enquanto Fernanda faz o mesmo olho para o computador dela e vejo uma ilustração. Decido ler.
Começo com uma certa dificuldade de me concentrar, mas ao fim da primeira estrofe percebo que mesmo durante aquela curta parte da leitura mergulhei no texto. A ilustração que tinha visto foi crucial, o texto ganhou vida na minha cabeça. Terminei a primeira estrofe, voltei para a sala. Foi difícil recomeçar a próxima. A leitura foi assim até o final, mergulhava na leitura, mas por um curto período. Desconcentrava e aí era difícil começar de novo, mas quando recomeçava esquecia o resto. O texto para mim teve muita vida, e não reli muito. Tinha palavras e partes que não entendia bem, mas eu continuava e não tinha vontade de voltar, estava indo com texto. Terminei e não foi tão superficial quanto pensei que fosse ser, fiquei surpresa.
Já imaginei que seria difícil, pois não estou num bom dia.Não estou conseguindo me concentrar em nada, por vários acontecimentos que me balançaram hoje.E ainda por cima com toda a agitação em volta... Tento. Antes dou uma pesquisada sobre a vida e trabalho de Edgar Allan Poe, e enquanto Fernanda faz o mesmo olho para o computador dela e vejo uma ilustração. Decido ler.
Começo com uma certa dificuldade de me concentrar, mas ao fim da primeira estrofe percebo que mesmo durante aquela curta parte da leitura mergulhei no texto. A ilustração que tinha visto foi crucial, o texto ganhou vida na minha cabeça. Terminei a primeira estrofe, voltei para a sala. Foi difícil recomeçar a próxima. A leitura foi assim até o final, mergulhava na leitura, mas por um curto período. Desconcentrava e aí era difícil começar de novo, mas quando recomeçava esquecia o resto. O texto para mim teve muita vida, e não reli muito. Tinha palavras e partes que não entendia bem, mas eu continuava e não tinha vontade de voltar, estava indo com texto. Terminei e não foi tão superficial quanto pensei que fosse ser, fiquei surpresa.
quarta-feira, 10 de março de 2010
O tempo dos textos
Ao ler os textos de Rachel de Queiroz (Escrever e A "inspiração" não vem para todos), a entrevista com Jõao Cabral de Melo Neto e também o livro de Rainer Maria Rilke (Cartas a um Jovem Poeta) pude perceber concepções muito diferentes a respeito da escrita e do trabalho do escritor. Todas são leituras enriquecedoras e as concepções de cada autor são tão bem articuladas que concordei, ao ler, com todas elas, mesmo sabendo que são díspares. Fiquei intrigada com esse fato e percebi que não tenho ainda a menor idéia da minha própria concepção sobre a escrita.
De qualquer maneira, o que me chamou a atenção ainda mais foi o fato de todos os autores concordarem que o ato de escrever não é súbito ou repentino, e que pode demorar dias, meses ou até anos. Concordarem que a escrita sempre tem um período anterior, antes de ser entregue ao papel final.
Rachel de Queiroz compara o processo da escrita ao de uma gestação, como se você fosse cultivando a idéia e todos os seus detalhes até sua maturação, ou seu nascimento.
Para Rilke parece não ser muito diferente. Mesmo acreditando que as idéias ficam num lugar inacessível, nesse caso diferentemente do que Rachel de Queiroz nos transmite, o autor também cita a necessidade de um tempo, indefinido, até que as idéias e sentimentos amadureçam e estejam prontos.
João Cabral não utiliza termos como gestação ou parto, mas também trabalha com a idéia de que os textos não surgem prontos, de uma só vez. Para ele também é preciso um tempo, um período no qual planeja os aspectos do seu texto até que ele fique pronto, composto ou construído.
De qualquer maneira, o que me chamou a atenção ainda mais foi o fato de todos os autores concordarem que o ato de escrever não é súbito ou repentino, e que pode demorar dias, meses ou até anos. Concordarem que a escrita sempre tem um período anterior, antes de ser entregue ao papel final.
Rachel de Queiroz compara o processo da escrita ao de uma gestação, como se você fosse cultivando a idéia e todos os seus detalhes até sua maturação, ou seu nascimento.
Para Rilke parece não ser muito diferente. Mesmo acreditando que as idéias ficam num lugar inacessível, nesse caso diferentemente do que Rachel de Queiroz nos transmite, o autor também cita a necessidade de um tempo, indefinido, até que as idéias e sentimentos amadureçam e estejam prontos.
João Cabral não utiliza termos como gestação ou parto, mas também trabalha com a idéia de que os textos não surgem prontos, de uma só vez. Para ele também é preciso um tempo, um período no qual planeja os aspectos do seu texto até que ele fique pronto, composto ou construído.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Vou escrever para dizer que não estou conseguindo escrever. Hoje não tenho um tema ou algo sobre o que queira falar, a não ser dessa dificuldade. Estou desde ontem buscando e buscando algum assunto, mas ele simplesmente não vem. Eu até sei o porquê disso, mas também não consigo escrever sobre esse motivo (e não quero). Estou dizendo tudo isso pois tenho uma sensação de que se continuar me forçando a escrever sobre outra coisa simplesmente não conseguirei até que coloque isso para fora. Eu sei que esse texto está confuso e não dá para entender bem, mas é interessante pois é exatamente assim que meu pensamento está, é assim que estou me sentindo. Ainda não sei traduzir alguns sentimentos em palavras.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Papeizinhos
Outro dia fiz uma grande arrumação no meu quarto, sabe daquelas que você conta nos dedos as vezes que faz? Estava decidida a jogar muita coisa fora, pois não cabe mais quase nada no meu armário! Minha família sempre diz que eu guardo tranqueiras demais, e comecei a achar que eles tinham razão. Tirei absolutamente tudo do armário, todas as roupas e gavetas. Preciso confessar que sou bagunceira sim e não tenho a menor vocação para arrumação, logo fico mau humorada toda vez que preciso colocar muitas coisas em ordem. Mas não tinha jeito, então comecei pelas roupas e foi até que fácil. Consegui me desfazer do que não usava mais, coloquei algumas para consertar e guardei o resto. Até esse ponto estava achando que eu talvez tivesse aprendido a ser mais organizada e a guardar menos coisas, o que me deixou um tanto desconfiada. Foi então que cheguei nas gavetas de cartas, recadinhos e recordações em geral. Elas estavam abarrotadas de todo tipo de papeizinhos. Foi um desastre! Parei tudo o que estava fazendo e comecei a ser levada por todas aquelas recordações, todas aquelas palavras recheadas de lembranças e sentimentos. Li cartas que recebi, cartões, bilhetinhos que trocava no colégio com minhas amigas falando da festa do final de semana, entradas de shows aos quais fui... (sim, sou daquelas que guarda até os tickets de entrada do cinema) Tinha também fotos, mas me chamou a atenção como as palavras podem algumas vezes carregar muito mais. Elas não nos transportam apenas ao momento, mas também aos nossos pensamentos e sentimentos naquele instante. Fiquei horas ali.
Resultado?
Pro lixo mesmo, como havia proposto, pouca coisa foi, mas pelo menos passei uma tarde ótima em companhia daquela papelada!
Resultado?
Pro lixo mesmo, como havia proposto, pouca coisa foi, mas pelo menos passei uma tarde ótima em companhia daquela papelada!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O começo
Para mim, essa sempre foi a parte mais difícil do escrever. O começo. Claro que dessa vez não está sendo diferente. Tenho em mente tudo o quero dizer, mas traduzir em palavras é sempre um desafio. Aí começo a pensar que o nosso pensamento é formado por palavras, logo, por que é tão difícil começar se sei o que quero falar? Sempre é assim, e também sei que depois tudo fica mais fácil, e a escrita flui livremente.
Faço um paralelo, e admito que começar esse blog também está sendo difícil, assim como foi começar essa pequena reflexão. A idéia do blog a princípio pareceu estranha, depois divertida. Brinquei com o layout, até coloquei uma foto, mas não escrevi nada, ou seja, não comecei. E não, não foi por falta de tempo, pois quando entrei para editar a foto e o visual fiquei um bom tempo olhando para a tela pensando no que postar, mas sim pela mesma dificuldade que não sei explicar.
Pronto, comecei!
Escrevi e postei, e agora espero que assim como ficou mais fácil escrever esse texto fique também mais fácil fazer esse blog.
PS: Agora, depois de ler, percebo que uma das coisas que dificultam é sempre a insatisfação com o produto, e a sensação de que o que escrevo fica sempre pior do que eu imaginava.
Nossa, como foi difícil tudo isso!!!!!! Ufa... agora vai.
Faço um paralelo, e admito que começar esse blog também está sendo difícil, assim como foi começar essa pequena reflexão. A idéia do blog a princípio pareceu estranha, depois divertida. Brinquei com o layout, até coloquei uma foto, mas não escrevi nada, ou seja, não comecei. E não, não foi por falta de tempo, pois quando entrei para editar a foto e o visual fiquei um bom tempo olhando para a tela pensando no que postar, mas sim pela mesma dificuldade que não sei explicar.
Pronto, comecei!
Escrevi e postei, e agora espero que assim como ficou mais fácil escrever esse texto fique também mais fácil fazer esse blog.
PS: Agora, depois de ler, percebo que uma das coisas que dificultam é sempre a insatisfação com o produto, e a sensação de que o que escrevo fica sempre pior do que eu imaginava.
Nossa, como foi difícil tudo isso!!!!!! Ufa... agora vai.
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