quarta-feira, 26 de maio de 2010

Resumo do texto "Primórdios", de Alberto Manguel (para seminário)

O texto Primórdios, retirado do livro de Alberto Manguel, Uma História da Leitura, traça um breve histórico do surgimento da escrita e ao mesmo tempo da leitura. Surgiram por necessidades comerciais e foram de extrema importância para o desenvolvimento da sociedade. Quem se ocupava desse ofício eram os escribas, homens de grande importância na sociedade da época. Com o passar do tempo a escrita se desenvolveu e possibilitou uma transmissão cada vez mais precisa de significados, porém dependendo sempre de um leitor para que pudesse existir.

O começo da pré-história do livro deu-se na Babilônia, por motivos comerciais e para organizar uma sociedade cada vez mais complexa. A escrita gerou uma mudança na natureza da comunicação entre os homens que, anteriormente a ela, utilizavam-se da memória para registrar informações importantes. As vantagens da escrita de sinais incluíam uma quantidade armazenável infinita de informações e a não exigência da presença física de quem guardava as lembranças para recuperar as informações. Isso possibilitava a transmissão de mensagens através do tempo e espaço sem a presença de um mensageiro. A tentativa desde os primórdios do homem de superar a geografia, a morte e os esquecimentos foi alcançada então através da escrita.

Outra criação, tão importante quanto, apareceu simultaneamente: o leitor. Ao escrever, era imediatamente necessário alguém que decifrasse a escrita, para que essa pudesse existir. Isso criou um paradoxo fundamental entre o escritor e o leitor, uma vez que para que um texto fique pronto é necessário que o escritor não exista mais, para que ele possa nascer ao leitor. Um texto é silencioso até o momento que é lido. “ A leitura é a apoteose da escrita.”(p. 208)

A importância da escrita foi rapidamente reconhecida como uma habilidade poderosa. Surgem os escribas, ocupação de poucos, sempre de uma elite aristocrática, e que gerava muito status e poder. Era o escriba que estabelecia as comunicações e decifrava as mensagens de toda a sociedade. A importância do papel do escriba era enorme, pois era através deles que se estabeleciam as comunicações e se transmitiam as mensagens de toda a sociedade. O escriba era reconhecido principalmente pela sua habilidade de escrever, porém a habilidade da leitura também lhe era fundamental. A leitura não era reconhecida por motivos de segurança, uma vez que isso reconheceria a possibilidade do escriba de atribuir sentidos e significados às informações, ao invés de somente registrá-las. A invenção extraordinária da escrita dependia da capacidade do escriba de ler.

 Foi no segundo milênio a.C que a escrita mesopotâmica passou de pictográfica (representações dos objetos) para a escrita cuneiforme (sinais que representavam sons, não objetos). A escrita cuneiforme permitiu nuances de sentidos e matizes de significados, possibilitando aos escribas o registro de uma literatura muito mais complexa e altamente sofisticada. O texto lembra também que de nada adianta ter uma escrita rica sem ter quem decifrá-la, é como se não existisse ou estivesse morta, tornando-se silenciosa, como é o caso da escrita etrusca.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Resumo longo - Os Livros na Idade Média

O texto " Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, trata da dificuldade de acesso aos livros na Idade Média. Vários fatores, como alto custo do material e do copista, contribuíam para que o acesso aos livros fosse somente para poucos.  Dessa forma havia também uma grande dificuldade de se montar uma biblioteca, fosse ela particular ou pertencente a alguma instituição, durante a Idade Média. Mesmo com o advento da imprensa essa característica de acesso aos livros para poucos demorou a mudar.
Durante a Idade Média, o primeiro obstáculo ao acesso ao livro era de ordem econômica. O livro era muito caro, e , portanto, somente os mais abastados tinham oportunidade de formar uma biblioteca. O alto custo está associado, por um lado, ao material do qual o livro era feito (pergaminho), e  por outro lado, à escassez de copistas e à demora na confecção dos mesmos.
Colocados à parte o rei, os príncipes de sangue e os grandes senhores, os homens de saber eram praticamente os únicos a possuírem , até o final do século XV, bibliotecas de alguma importância. Os proprietários de bibliotecas consideravam-nas verdadeiros tesouros e as tratavam com o maior cuidado. Elas representavam uma forma de entesouramento, um capital tanto intelectual quanto financeiro , que se pretendia legar aos seus herdeiros.
Existiam na época três tipos de bibliotecas que mereceriam a designação de “públicas”. São elas:
- as bibliotecas principescas- parece que, pelo menos um número selecionado de pessoas tinha acesso às mesmas.
- bibliotecas de catedrais, mosteiros e conventos- não se sabe ao certo se seriam abertas a outros leitores que não fossem cônegos e frades.
- bibliotecas dos conventos medicantes- estudantes, leitores conventuais e pregadores compartilhavam do espaço, sobretudo no caso de colégios e universidades.
As bibliotecas dos colégios continham, sobretudo, livros de estudos, destacando-se as disciplinas tradicionalmente ensinadas nas universidades.
No total  é provável que, no exercício cotidiano de suas atividades profissionais ou administrativas, o conjunto dos homens de saber, sobretudo os leigos, deveria antes de tudo contar  com os recursos de sua pequena livraria pessoal e de sua memória
A invenção da tipografia, que provocou , sem dúvida, uma revolução, mas não terminou de uma vez com as atividades dos copistas de manuscrito. Continuou-se a transcrever livros manuscritos até o início do século XVI. Aqueles que possuíam belas coleções tinham tendência a conservá-las e não substituí-las, a não ser progressivamente por livros impressos. Foram os textos propriamente humanistas, quer dizer, os clássicos ( latinos e cada vez mais os gregos) e as obras de autores italianos recentes que teriam sido os livros mais procurados pelos letrados, porque esses manuscritos eram raros.
Pode-se concluir portanto que mesmo com o advento da imprensa o processo de substituição dos livros manuscritos pelos impressos foi lento, sendo que por muito tempo o livro permaneceu sendo um artigo caro e de difícil acesso. Somente mais tarde e gradativamente o desenvolvimento da impressa possibilitou alargar o público da cultura escrita e modificar  as proporções ou a composição das bibliotecas. 

Resumo curto - Os Livros na Idade Média

       O texto " Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, trata da dificuldade de acesso aos livros na Idade Média. Vários fatores, como alto custo do material e do copista, contribuíam para que o acesso aos livros fosse somente para poucos.  Dessa forma havia também uma grande dificuldade de se montar uma biblioteca, fosse ela particular ou pertencente a alguma instituição, durante a Idade Média. Mesmo com o advento da imprensa essa característica de acesso aos livros para poucos demorou a mudar.