O texto Primórdios, retirado do livro de Alberto Manguel, Uma História da Leitura, traça um breve histórico do surgimento da escrita e ao mesmo tempo da leitura. Surgiram por necessidades comerciais e foram de extrema importância para o desenvolvimento da sociedade. Quem se ocupava desse ofício eram os escribas, homens de grande importância na sociedade da época. Com o passar do tempo a escrita se desenvolveu e possibilitou uma transmissão cada vez mais precisa de significados, porém dependendo sempre de um leitor para que pudesse existir.
O começo da pré-história do livro deu-se na Babilônia, por motivos comerciais e para organizar uma sociedade cada vez mais complexa. A escrita gerou uma mudança na natureza da comunicação entre os homens que, anteriormente a ela, utilizavam-se da memória para registrar informações importantes. As vantagens da escrita de sinais incluíam uma quantidade armazenável infinita de informações e a não exigência da presença física de quem guardava as lembranças para recuperar as informações. Isso possibilitava a transmissão de mensagens através do tempo e espaço sem a presença de um mensageiro. A tentativa desde os primórdios do homem de superar a geografia, a morte e os esquecimentos foi alcançada então através da escrita.
Outra criação, tão importante quanto, apareceu simultaneamente: o leitor. Ao escrever, era imediatamente necessário alguém que decifrasse a escrita, para que essa pudesse existir. Isso criou um paradoxo fundamental entre o escritor e o leitor, uma vez que para que um texto fique pronto é necessário que o escritor não exista mais, para que ele possa nascer ao leitor. Um texto é silencioso até o momento que é lido. “ A leitura é a apoteose da escrita.”(p. 208)
A importância da escrita foi rapidamente reconhecida como uma habilidade poderosa. Surgem os escribas, ocupação de poucos, sempre de uma elite aristocrática, e que gerava muito status e poder. Era o escriba que estabelecia as comunicações e decifrava as mensagens de toda a sociedade. A importância do papel do escriba era enorme, pois era através deles que se estabeleciam as comunicações e se transmitiam as mensagens de toda a sociedade. O escriba era reconhecido principalmente pela sua habilidade de escrever, porém a habilidade da leitura também lhe era fundamental. A leitura não era reconhecida por motivos de segurança, uma vez que isso reconheceria a possibilidade do escriba de atribuir sentidos e significados às informações, ao invés de somente registrá-las. A invenção extraordinária da escrita dependia da capacidade do escriba de ler.