quarta-feira, 21 de abril de 2010

Considerações sobre "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke

Nessa postagem deveríamos falar sobre os livros lidos. Pensei em um trecho para escolher e dividir com vocês, porém percebi que não há um trecho ou tema específico do livro que me chamou a atenção em si, mas o livro como um todo e a idéia que ele me passou. Não sei se o que vou colocar aqui é de fato algo que está no livro, algo que qualquer um que leia possa perceber. Também não sei se saberia explicar exatamente o que me levou a tais considerações, mas de qualquer forma foi o que mais ficou do livro para mim e é o que dividirei com vocês.
Ao falar de temas como infância, solidão, natureza (temas recorrentes na obra) Rilke me remeteu a sentimentos. A sensação que eu tinha sempre que o autor falava da importância desses temas para escrita era de que esses temas eram uma forma de entrar em contato com seus próprios sentimentos, para aí sim escrever. Não sei se seria para escrever  sobre os sentimentos em si, mas só de entrar em contato com eles, esses já ficam muito presentes nas palavras, de forma que invadem, como se tivessem vida, o leitor de tais páginas. Daí, acredito eu, a apreciação que Rilke obteve e ainda obtém de tantas pessoas. Porque para mim ele trata, mesmo que indiretamente, de sentimentos. E esse na minha opinião é o tema central da vida de todos nós. Essa idéia não me surgiu somente agora, desde que estudava psicologia eu sempre pensei muito nisso. Pode parecer óbvio, ou não, mas sempre me peguei horas e horas pensando nisso. Tudo na nossa vida acaba sendo sobre nossos sentimentos. Mas essa é uma explicação que, se eu tiver, é muito mais longa e para um outro momento, que vai além do que eu pretendia escrever aqui.
Então fica minha idéia, e minhas sensações e sentimentos a respeito desse livro.      

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A influência da escrita e seus reflexos nas obras de Graciliano Ramos e João Ubaldo Ribeiro

Discutimos bastante na sala os dois textos propostos, de João Ubaldo Ribeiro e de Graciliano Ramos, e a questão do que influencia a escrita continuou para mim. Como só havia lido um deles, na aula, fiquei com a idéia da discussão e tentei achar uma resposta, mesmo sem ler o outro ainda. Obviamente não cheguei a nenhuma resposta objetiva. O que pode influenciar uma pessoa a fazer e gostar de determinada coisa, como escrever, depende de inúmeros fatores, muitos dos quais não estão ao nosso alcance de análise. É claro que o ambiente da pessoa conta com um grande peso, mas outras experiências que podem parecer sem importância para os outros podem ter grande valor para a própria pessoa, mesmo que ela não perceba. Usando um termo bem técnico, seria algo como multifatorial.
De qualquer forma eu decidi então ler o outro texto, sem expectativas de encontrar uma resposta. Não, não encontrei resposta para esse fato, mas encontrei outra coisa. Me chamou muita a atenção o estilo de escrita de cada autor, o tom de seu texto. A escrita de João Ubaldo Ribeiro é leve, gostosa de ler, divertida. Passa uma sensação que eu imagino ter semelhança com a sua própria vivência do processo de leitura e escrita. O texto de Graciliano Ramos, por sua vez, passa uma sensação pesada, ele é duro de ler, como me parece que foram suas experiências.
Achei muito interessante e fiquei pensando que mesmo não influenciando diretamente o fato de alguém ser levado a escrever, o ambiente no qual essa pessoa vive ou viveu tem uma grande influência no seu estilo, no tom do seu trabalho. Me parece que isso é uma coisa mais direta, mas preciso ler mais autores e suas histórias.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sugestão: Enrique Vila-Matas

Acabei de ler esse artigo e pensei na hora em dividir com vocês. Acho que tem tudo a ver com o nosso curso, além de parecer ser uma leitura muito interessante. Eu pessoalmente fiquei muito interessada e espero que vocês também se interessem!

"Enrique Vila-Matas é um dos mais proeminentes escritores da atual literatura hispânica, nasceu em Barcelona em 1948 e já lançou 28 títulos em mais de 20 países. Seis de seus livros foram traduzidos para o Brasil: A viagem vertical, Bartleby e companhia, O mal de Montano, Paris não tem fim, Suicídios exemplares e acaba de sair do prelo Doutor Pasavento. Consagrado em 2006 com o prêmio da Real Academia Espanhola, uma de suas características é misturar sem medo ensaio e ficção, isso levou o crítico José Castello a dizer que sua obra “exige o aparecimento de um novo tipo de leitor, nem passivo nem ativo, mas desarmado e disposto a se deixar perturbar pelo que lê”, e a jornalista Bia Abramo a assinalar: “É um escritor singular, tão singular quanto os personagens que habitam seus livros”. Ao retratar, em três novelas, algumas das patologias que abalam grandes escritores, criou uma espécie informal de trilogia nomeada Catedral metaliterária, usando a literatura como marco de reflexão e ponto de fuga. Por essas e outras, a narrativa de Vila-Matas é leitura instigante e intrigante." (Revista da Cultura, edição 32)


No site tem também uma pequena entrevista com ele:
http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc32/index2.asp?page=literatura

Espero que gostem!



terça-feira, 16 de março de 2010

Leitura de O Corvo

Nossa, começar a ler no meio da aula. 
Já imaginei que seria difícil, pois não estou num bom dia.Não estou conseguindo me concentrar em nada, por vários acontecimentos que me balançaram hoje.E ainda por cima com toda a agitação em volta... Tento. Antes dou uma pesquisada sobre a vida e trabalho de Edgar Allan Poe, e enquanto Fernanda faz o mesmo olho para o computador dela e vejo uma ilustração. Decido ler.
Começo com uma certa dificuldade de me concentrar, mas ao fim da primeira estrofe percebo que mesmo durante aquela curta parte da leitura mergulhei no texto. A ilustração que tinha visto foi crucial, o texto ganhou vida na minha cabeça. Terminei a primeira estrofe, voltei para a sala. Foi difícil recomeçar a próxima. A leitura foi assim até o final, mergulhava na leitura, mas por um curto período. Desconcentrava e aí era difícil começar de novo, mas quando recomeçava esquecia o resto. O texto para mim teve muita vida, e não reli muito. Tinha palavras e partes que não entendia bem, mas eu continuava e não tinha vontade de voltar, estava indo com texto. Terminei e não foi tão superficial quanto pensei que fosse ser, fiquei surpresa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O tempo dos textos

Ao ler os textos de Rachel de Queiroz (Escrever e A "inspiração" não vem para todos), a entrevista com Jõao Cabral de Melo Neto e também o livro de Rainer Maria Rilke (Cartas a um Jovem Poeta) pude perceber concepções muito diferentes a respeito da escrita e do trabalho do escritor. Todas são leituras enriquecedoras e as concepções de cada autor são tão bem articuladas que concordei, ao ler, com todas elas, mesmo sabendo que são díspares. Fiquei intrigada com esse fato e percebi que não tenho ainda a menor idéia da minha própria concepção sobre a escrita.
De qualquer maneira, o que me chamou a atenção ainda mais foi o fato de todos os autores concordarem que o ato de escrever não é súbito ou repentino, e que pode demorar dias, meses ou até anos. Concordarem que a escrita sempre tem um período anterior, antes de ser entregue ao papel final.
Rachel de Queiroz compara o processo da escrita ao de uma gestação, como se você fosse cultivando a idéia e todos os seus detalhes até sua maturação, ou seu nascimento.
Para Rilke parece não ser muito diferente. Mesmo acreditando que as idéias ficam num lugar inacessível, nesse caso diferentemente do que Rachel de Queiroz nos transmite, o autor também cita a necessidade de um tempo, indefinido, até que as idéias e sentimentos amadureçam e estejam prontos.
João Cabral não utiliza termos como gestação ou parto, mas também trabalha com a idéia de que os textos não surgem prontos, de uma só vez. Para ele também é preciso um tempo, um período no qual planeja os aspectos do seu texto até que ele fique pronto, composto ou construído.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Vou escrever para dizer que não estou conseguindo escrever. Hoje não tenho um tema ou algo sobre o que queira falar, a não ser dessa dificuldade. Estou desde ontem buscando e buscando algum assunto, mas ele simplesmente não vem. Eu até sei o porquê disso, mas também não consigo escrever sobre esse motivo (e não quero). Estou dizendo tudo isso pois tenho uma sensação de que se continuar me forçando a escrever sobre outra coisa simplesmente não conseguirei até que coloque isso para fora. Eu sei que esse texto está confuso e não dá para entender bem, mas é interessante pois é exatamente assim que meu pensamento está, é assim que estou me sentindo. Ainda não sei traduzir alguns sentimentos em palavras.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Papeizinhos

Outro dia fiz uma grande arrumação no meu quarto, sabe daquelas que você conta nos dedos as vezes que faz? Estava decidida a jogar muita coisa fora, pois não cabe mais quase nada no meu armário! Minha família sempre diz que eu guardo tranqueiras demais, e comecei a achar que eles tinham razão. Tirei absolutamente tudo do armário, todas as roupas e gavetas. Preciso confessar que sou bagunceira sim e não tenho a menor vocação para arrumação, logo fico mau humorada toda vez que preciso colocar muitas coisas em ordem. Mas não tinha jeito, então comecei pelas roupas e foi até que fácil. Consegui me desfazer do que não usava mais, coloquei algumas para consertar e guardei o resto. Até esse ponto estava achando que eu talvez tivesse aprendido a ser mais organizada e a guardar menos coisas, o que me deixou um tanto desconfiada. Foi então que cheguei nas gavetas de cartas, recadinhos e recordações em geral. Elas estavam abarrotadas de todo tipo de papeizinhos. Foi um desastre! Parei tudo o que estava fazendo e comecei a ser levada por todas aquelas recordações, todas aquelas palavras recheadas de lembranças e sentimentos. Li cartas que recebi, cartões, bilhetinhos que trocava no colégio com minhas amigas falando da festa do final de semana, entradas de shows aos quais fui... (sim, sou daquelas que guarda até os tickets de entrada do cinema) Tinha também fotos, mas me chamou a atenção como as palavras podem algumas vezes carregar muito mais. Elas não nos transportam apenas ao momento, mas também aos nossos pensamentos e sentimentos naquele instante. Fiquei horas ali.
Resultado?
Pro lixo mesmo, como havia proposto, pouca coisa foi, mas pelo menos passei uma tarde ótima em companhia daquela papelada!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O começo

Para mim, essa sempre foi a parte mais difícil do escrever. O começo. Claro que dessa vez não está sendo diferente. Tenho em mente tudo o quero dizer, mas traduzir em palavras é sempre um desafio. Aí começo a pensar que o nosso pensamento é formado por palavras, logo, por que é tão difícil começar se sei o que quero falar? Sempre é assim, e também sei que depois tudo fica mais fácil, e a escrita flui livremente.
Faço um paralelo, e admito que começar esse blog também está sendo difícil, assim como foi começar essa pequena reflexão. A idéia do blog a princípio pareceu estranha, depois divertida. Brinquei com o layout, até coloquei uma foto, mas não escrevi nada, ou seja, não comecei. E não, não foi por falta de tempo, pois quando entrei para editar a foto e o visual fiquei um bom tempo olhando para a tela pensando no que postar, mas sim pela mesma dificuldade que não sei explicar.
Pronto, comecei!
Escrevi e postei, e agora espero que assim como ficou mais fácil escrever esse texto fique também mais fácil fazer esse blog.

PS: Agora, depois de ler, percebo que uma das coisas que dificultam é sempre a insatisfação com o produto, e a sensação de  que o que escrevo fica sempre pior do que eu imaginava.

Nossa, como foi difícil tudo isso!!!!!! Ufa... agora vai.